terça-feira, 30 de setembro de 2008

GUILHERME


Eu nem queria ficar expondo esse lado tão sentimental por aqui, mas é que quando se tem uma sensação dessas, não há o menor motivo de não compartilhar. Fizemos a ultra 3D na semana passada, e depois de duas tentativas em que ele virou de costas e colocou a mão no rosto, conseguimos as imagens. Valeu a pena esperar, ele é um espetáculo. Eu ainda estou impressionada com a precisão do aparelho. Dá pra ver tudo: boca, nariz, testa, olhinhos fechados... Ele, do tamanho de uma régua e com o peso de um saco de arroz, já é um joelhinho diferente dos que eu vejo na rua e no site da São José.

Realmente é possível amar alguém que não conhecemos ainda. Eu até me sentia culpada de não ter nenhum sentimento maior por uma coisinha que não existia ainda. Juro que na minha cabeça, ele tava sendo construído lá no hospital e um dia iam me ligar pedindo pra passar lá e buscar.

Só que as coisas mudam. Acordar sendo chutada com violência nas costelas porque a criaturinha está com fome, ver a barriga crescer todos os dias, ler os livros que acompanham a evolução do bebê, sentir que ele realmente pula quando escuta a voz do pai (no início eu não tava gostando muito disso, ficava com ciúmes, fazer o quê?), tomar sol na barriga e imaginar se ele tá gostando... Quando eu percebi, um amor bem maior do que uma régua já tinha tomado conta de mim.

Quando eu vi já estava começando a gostar dessa coisa de “ser grávida”. As pessoas me olham com mais carinho, tem sempre uma mão na minha barriga, minha mãe anda mais feliz, a empregada traz suquinho pra mim toda hora, eu ganho massagem no pé e tudo. Foi o máximo arrumar o quarto dele, colocar pacientemente as faixas na parede, cortar as figuras, montar o berço. O incrível é que eu fiz questão de participar de cada detalhe, e não me lembro da última vez que eu me dediquei tanto a alguém.

Nós sempre pegamos as imagens, ficamos os dois, naquela bobeira boa de ficar imaginando como vai ser cada detalhe daquele rostinho aqui do lado de fora. Se vai ser alegre ou introvertido, se vai gostar de praia, se vai chorar pra ir à escola, se vai gostar de peixinhos ou de cachorros, de quais dos nossos amigos ele vai gostar mais,de quais ele vai ter medo... e o engraçado é que o nosso amor cresce também, fica mais real, agora que temos um "resultado" de tudo o que construímos juntos.

Agora sim eu começo a acreditar de verdade que meus pezinhos de dinossauro, aqueles enjôos malditos, as dores nas costas, a falta do álcool e do cigarro, o fato de a aliança não sair mais do meu dedo, não conseguir mais achar posição pra dormir, a cara de bolacha... Tudo isso tem valido a pena, e eu acho que vou ter mais certeza ainda quando olhar pro MEU FILHO ao vivo.Só tem um problema: depois de ver o rosto dele, torna-se praticamente uma tortura esperar esses dois longos meses que temos pela frente...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Ponto de vista

- Se nos apaixonássemos, seria algo grandioso.
- Por quê?
- Porque as pessoas egoístas, de certo modo, são incrivelmente capazes de grandes amores.

Este lado do paraíso, F. Scott Fitzgerald

Grandes amores.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Amor platônico


Vou confessar uma coisa pra vocês: eu tenho uma séria queda pelo Miguel Falabella. Eu sei que devido à provável inclinação sexual da criatura, eu não teria chance nem se eu estivesse um pouquinho mais perto. Mas vai falar que ele não é sexy? Eu me apaixonei quando tinha uns 11, 12 anos, na época do Sai de Baixo.Ele era espetacular. Depois comecei a ler algumas coisas que ele escreve e gostei de várias.Inteligente e engraçado. Um desperdício. Me sinto até lisonjeada quando escuto ele dizer "parabéns pelo bom gosto" na Paradiso. Too much? Não acho.E vocês, que dão boa noite pro chato do William Bonner?

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

E se você ficasse dessa vez?



Você ainda não viu? Veja urgente. Viu e não gostou muito? Veja de novo agora.
Esse é o filme que eu gostaria de ter feito. Pensei em escrever alguma coisa sobre ele, mas isso requer muita inspiração. Enquanto isso, deixo pra vocês um pedacinho do que surpreendentemente foi a história de amor mais bonita que eu já vi nos últimos tempos...(e faz bastante tempo que eu assisti da primeira vez).
Enjoy!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Too late...

"She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love
But I can't help the feeling
I could blow through the ceiling
If I just turn and run"


Radiohead

Isabel passou a vida toda apaixonada pelo mesmo homem. Não que não tenha tido outras paixões ao longo da vida, mas essa foi a única que nunca acabou. Talvez não tenha acabado justamente porque não foi até o fim, não deu pra sugar até a última gota de amor, como acontece com os namoros e casamentos.

Eles nunca namoraram, na verdade. Não teoricamente. Tiveram um caso que começou quando ela tinha seus dezoito anos, e que nunca acabou. Casaram com outras pessoas, tiveram filhos. Isabel carregava aquele amor como quem guarda uma foto da avó na carteira ou um pingente que usou na adolescência. Aquela coisa boa de olhar, de lembrar. Quando tudo parecia estar dando errado colocava uma das músicas que lembravam algum momento dos dois, passava o perfume dele. Não precisava de drogas, a vida voltava ao normal, sentia-se mais feliz.

Nunca doeu. Falavam-se quase sempre, conversavam trivialidades, você leu isso, como anda o trabalho, alguma novidade, faziam umas gracinhas, se refugiavam nas ironias bobas. Às vezes a saudade esquecia os limites e ela fazia uma visita. Nunca deixou de ser um grande acontecimento olhar naqueles olhos, ouvir a gargalhada tímida, querer acreditar na alegria que ele sentia ao vê-la. Sentavam, conversavam, riam abobalhados, mas sempre parecia que alguém estava prestes a explodir. Isabel só conseguia pensar em beijar o rosto, a boca, as mãos. Queria tocar o corpo dele, seria capaz de passar o dia inteiro deitada olhando e tocando cada detalhe que ela conhecia tão bem.

Sua maior frustração não era a de nunca ter conseguido virar nada oficial: namorada, noiva, mulher... a maior frustração era a de nunca ter conseguido ter certeza do que ele sentia. Ela gostava de sentir aquela emoção toda, aquele amor profundo, que era até egoísta. Isabel adorava saber que longe de tudo, indiferente a qualquer pedaço de sua vida, aquele amor estaria sempre lá enquanto ela quisesse.


Faltava só a certeza de que em algum momento ele amou também. Em algum momento ele sentiu sua falta, ele quis beijá-la mesmo sabendo que não havia a menor possibilidade disso acontecer. Nunca cogitou a possibilidade de casarem, por exemplo. Na verdade ela era bem feliz em seu casamento. O bom de tudo isso era saber que o homem que ela tanto amava estaria pra sempre na quarta dimensão.

Contudo, restava a dúvida. Tinha medo de morrer sem jamais saber o que significavam pra ele todos aqueles anos. Queria ao menos receber uma carta, um texto, um poema, algo escrito por ele sobre ela. Disso ele sabia, mas nunca escreveu.

Um dia, Isabel esqueceu. Bastou acordar um dia e inventar que não havia retribuição, que não havia sentido. Chorou por cada ano, cada culpa que sentiu, cada mentira que contou, cada ilusão, sonho, amaldiçoou sua imaginação. Esqueceu.

Passaram-se meses e um dia se encontraram no sinal. Moravam e trabalhavam no mesmo bairro, mas nunca haviam se encontrado. Olharam-se. Isabel sorriu. Os olhos dele se encheram. Eu amo você. Os olhos dela se fecharam. O sinal abriu. Nunca mais se falaram.